vou buscar aquilo que não me pertence disposta a arrancar de mim palavras, como quem arranca uma perna e sorri pensando que outra crescerá no lugar.
entrego as palavras como quem cospe no chão. algumas sobram presas aos lábios e presas ao mundo, como porcaria combinada entre nós.
releio esse eu ressecado na calçada, sou eu mesma? me espanto, me admiro, me envergonho.
costumava brincar de ser poeta.
inventar modismos, traçar (des)encontros íntimos. enganar o sol, fazê-lo erguer-se pensando que é dia.
"poderes cósmicos fenômenais.... dentro de uma lampadazinha" - eita infância.
o que sobrou do silêncio dos tempos últimos é a vontade de ter algo a dizer mas sem saber exatamente o que nem como nem se é isso o que dizer talvez se simplesmente jogar as letras mais ou menos organizadas em palavras e sentidos possa permitir a quem vier ter sua experiência sem medo de não gostar não querer não compartilhar ou então que se retirem todas as negatividades para que tudo pareça o exato oposto do que foi dito já que hoje não é o dia da terra mas o dia da água do fluído da lágrima do perder-se em meio a mariscos e ostras e sereias ou ainda dia que se volve noite já que sob águas profundas não há se não dias que o sol não alcança peles cuja cor é sem-cor seres que sendo secos são molhados
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o que sobrou
do silêncio dos tempos
últimos é a vontade de ter algo a
dizer mas sem saber exatamente o que nem
como nem se é isso o que dizer
talvez se simplesmente jogar as letras mais ou
menos organizadas em palavras e
sentidos possa permitir a quem vier ter
sua experiência sem medo de não g
ostar não querer não compartilhar ou
então que se retirem todas as negatividades para que tudo
pareça o exato oposto
do que foi dito já que hoje não é o dia
da terra mas o dia da água
do fluído da lágrima do
perder-se em meio a mariscos e ostras e
sereias ou ainda dia que se volve noite já que sob
águas profundas não
há se não dias que o sol não alcança
peles cuja cor
é sem-cor seres que sendo secos
são molhados





